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Escassez de equipamentos de ressonância magnética e a falta de profissionais afeta a Radiologia no país

Em meio a era da Inteligência Artificial e dos saltos tecnológicos, duas realidades se impõem e causam preocupação: a falta de profissionais da Radiologia no mercado de trabalho e a escassez de equipamentos de ressonância magnética nos hospitais, principalmente os geridos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o Presidente do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do RN e PB (CRTR16), Fontaine Araújo, a problemática é antiga e afeta toda uma população que necessita dos profissionais e dos equipamentos. “É uma dificuldade que nos deixa muito aflitos e que, lá na ponta, é crucial para as pessoas que precisam dessa assistência. A ressonância magnética é uma ferramenta indispensável para diagnósticos de alta complexidade, proporcionando imagens detalhadas de tecidos moles, órgãos e estruturas internas do corpo humano. Atualmente, temos por volta de 1.300 equipamentos deste tipo, operados por aproximadamente 3.900 profissionais (três por equipamento). É muito pouco pela imensa população e suas demandas”, explicou Fontaine Araújo.

Ainda de acordo com dados do CRTR16, o Brasil apresenta uma das menores taxas de equipamentos de ressonância magnética por habitante entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Dados recentes mostram que o país possui cerca de 6,5 aparelhos por milhão de habitantes, enquanto a média global em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, supera os 30 aparelhos por milhão de habitantes. “A desigualdade regional é ainda mais alarmante: enquanto o Sudeste concentra a maioria dos equipamentos, estados do Norte e Nordeste enfrentam um grave déficit, com muitas regiões sem acesso a um único aparelho e suas populações desassistidas. Essa disparidade compromete o princípio da equidade defendido pelo SUS e impacta negativamente a capacidade de diagnóstico e tratamento precoce de doenças graves, como câncer e patologias neurológicas”, ressaltou Fontaine Araújo.

Além disso, cerca de 50% dos equipamentos de ressonância magnética no Brasil estão na rede privada, enquanto apenas 25% da população possui acesso a planos de saúde. Isso agrava ainda mais a dificuldade de acesso para pacientes que dependem exclusivamente do SUS.

Deserto de profissionais

Outro obstáculo enfrentado pelo cidadão que procura assistência médica é a carência de Tecnólogos e Técnicos em Radiologia capacitados para operar os equipamentos de ressonância magnética. “Embora existam cursos técnicos e graduações na área, a formação específica em RM ainda é limitada, e muitos profissionais não possuem acesso a treinamentos continuados ou especialização em tecnologias avançadas. E o resultado todos conhecemos: filas de espera prolongadas nos hospitais; pacientes aguardando meses e meses para um exame; atraso nos seus tratamentos médicos; e em muitos casos, a morte que poderia ter sido evitada”, pontuou o presidente do CRTR16, Fontaine Araújo.

Para o profissional da Radiologia, o horizonte também se apresenta pouco animador. “Infelizmente, faltam incentivos financeiros, concursos públicos vantajosos e, em muitos casos, condições de trabalho precárias em hospitais e instituições de Saúde. Outro problema é o chamado deserto profissional, que é a concentração desses trabalhadores em grandes cidades. Deixando com isso, muitos municípios afastados sem assistência correta. E o impacto desse déficit é significativo: mesmo onde há equipamentos disponíveis, a operação ineficiente ou inadequada compromete a qualidade e a agilidade dos diagnósticos”, informou Fontaine Araújo.

O presidente do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia defende que para atender à crescente demanda por exames de ressonância magnética é fundamental considerar a necessidade de profissionais adicionais, sobretudo no contexto de uma jornada de trabalho de 24 horas semanais dos Tecnólogos e Técnicos em Radiologia. “Precisamos, com urgência, de políticas públicas voltadas para a formação e fixação de Tecnólogos e Técnicos, bem como a ampliação da infraestrutura de saúde em todo o país. Sem isso, continuaremos a observar o problema e as demandas da população só aumentarem. Infelizmente”, finalizou Fontaine Araújo, do CRTR16.

 

 

 

 

 

 

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