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Sistema de monitoramento de radiação em tempo real é novo aliado dos profissionais da Radiologia

A rotina de profissionais da saúde que atuam em ambientes com exposição à radiação ionizante acaba de ganhar um novo aliado. Um sistema de monitoramento em tempo real, desenvolvido a partir de pesquisas promovidas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), promete transformar a forma como médicos, Técnicos em Radiologia e equipes multiprofissionais acompanham e gerenciam sua exposição diária à radiação. Mais do que uma inovação tecnológica, a iniciativa simboliza a trajetória completa de um conhecimento que nasce na universidade pública, é testado na prática hospitalar e retorna ao ambiente acadêmico como instrumento de formação, pesquisa e qualificação profissional.

De acordo com informações da equipe que desenvolveu o projeto, a tecnologia consiste em um dosímetro eletrônico (dispositivo portátil que mede a exposição acumulativa de uma pessoa ou ambiente a agentes físicos, como radiação ionizante, ruído ou gases) capaz de medir instantaneamente os níveis de radiação aos quais os profissionais são submetidos durante cada procedimento. Diferentemente dos dosímetros convencionais, utilizados há décadas em hospitais, o novo sistema elimina a necessidade de aguardar semanas para a leitura dos dados. "No modelo utilizado atualmente, a informação sobre a dose de exposição só é obtida após cerca de um mês de uso, o que limita a possibilidade de intervenção imediata. Com o monitoramento em tempo real, cada procedimento pode ser avaliado individualmente, permitindo ajustes técnicos no momento em que a exposição ocorre e uma gestão mais precisa da proteção radiológica para todos. Acredito que, ele posto em funcionamento, é um bom avanço para o setor médico e da Radiologia", explicou o presidente do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do RN e PB (CRTR16), Fontaine Araújo.

Orientar decisões 

Do ponto de vista da saúde ocupacional, a exposição à radiação ionizante representa riscos distintos para os profissionais que atuam em ambientes hospitalares. Segundo a médica do trabalho e professora do departamento de Medicina Social da UFRGS Maria Carlota Borba Brum, esses riscos podem ser classificados em dois grandes grupos: “Os efeitos determinísticos surgem quando uma dose limite é ultrapassada, podendo provocar lesões cutâneas, queimaduras ou danos oculares, como catarata. Já os efeitos estocásticos não apresentam um limiar definido, mas aumentam a probabilidade de doenças de longo prazo, incluindo alguns tipos de câncer”, comentou Borba Brum.

O presidente do CRTR16 explicou que a intensidade da exposição varia conforme o tipo de procedimento e o tempo de exposição e o novo sistema é um aliado dos profissionais. "Por tudo isso, essa inovação permite não apenas acompanhar imediatamente a dose recebida, mas também orientar decisões que aumentem a segurança ocupacional durante procedimentos radiológicos, fortalecendo a proteção radiológica dos trabalhadores na prática clínica”, finalizou Fontaine Araújo.

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